Biblioteca Josefina |
Lançada a Reforma Pombalina da Universidade em 1772, seria a Biblioteca Joanina considerada exígua para albergar os fundos bibliográficos que deveriam apoiar os novos institutos encarregues de abrigar as ciências experimentais com ela introduzidas no ensino superior. Nesse sentido, seria encomendado ao arquitecto inglês Guilherme Elsden - a quem incumbiria traçar o conjunto dos edifícios exigidos pela reforma - o plano de uma nova biblioteca, agora em homenagem ao monarca reinante, D. José I, que transfiguraria toda a ala ocidental do palácio universitário.
Nesse sentido, uma nova fachada, riscada num classicismo monumental, centrado num portal sobrepujado de frontão triangular, mas onde se reaproveitavam as belas colunas monolíticas da ordem jónica que flanqueavam a entrada da Biblioteca Joanina, uniria, através de um vestíbulo comum, as duas livrarias, bem como uma nova capela, simbolicamente comprimida entre ambas, denunciando-se o espírito laicista do programa pela ausência de qualquer referência exterior à presença do templo. Quanto à nova biblioteca, cujos alçados internos se desconhecem, constituiria, porém, como a planta denuncia, uma réplica exacta da que quase meio século antes fora construída: por esse modo ilustrando o prestígio e eficácia do modelo joanino.
Aprovado pelo marquês de Pombal, o projecto não teria, contudo, seguimento, com isso se salvando, não somente a antiga capela universitária, como, mesmo (ao menos até à intervenção da década de 40 do século XX) a bela fachada da Biblioteca Joanina. Com efeito, o reitor-reformador, D. Francisco de Lemos, tê-lo-á suspenso, certamente por compreender a sua irrelevância do ponto de vista de uma reforma pedagógica que, ainda que abrindo os horizontes da ciência, continuaria a assentar no uso do compêndio - centrando esforços e recursos nas obras indispensáveis à implementação da reforma universitária.